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Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

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09.Ago.18

"The Incredibles" 14 anos depois...

 O primeiro "Incredibles" saiu em 2004. Feitas as contas assim muito rapidamente... tinha 8 anos. Bué anos depois decidem lançar o segundo. "Ridículo" podem dizer... mas no fundo nem foi mau.

 

Lançar filmes de bonecada e, ainda por cima, de heróis, atrai muita pequenada. Assim, ao sair um de heróis e que tem o "2", obriga a que os miúdos mais novos que desconheciam a obra fossem a correr ver o primeiro. Isto aumenta vendas, de alguma forma. Por outro lado, lançar a continuação de uma longa-metragem para crianças quando o público alvo original já é adulto, fez renascer a criança no interior de todos nós. Portanto, a maioria do pessoal adulto foi ver a segundo filme de livre vontade, sem ser por se ver obrigado a acompahar os filhos. Com sorte ainda obrigam os próprios pais a ir com eles... sim, porque a maioria do pessoal da minha idade, eu incluída, ainda vive com os mesmos e depende deles, portanto não é de admirar que queiram boleia e, quem sabe, um adulto responsável que os acompanhe.

 

Um filme que é lançado tantos anos depois também tem as suas particularidades. No caso dos Incredibles é notória a disparidade de valores e a evoluição da sociedade na aceitação do papel da mulher desde 2004 até então. SPOILER ALERT.

O facto de a mulher elástica ter tido o papel principal na maior parte, deixando para o homem o papel de cuidar dos filhos e, ainda, de a vilã ser também uma mulher e desta ser caracterizada pela sua inteligência e criatividade (e atenção, não é uma mulher loira!) são pontos extremamente positivos e um sinal da mudança dos tempos. No entanto, e infelizmente, ainda é um pouco futurista. O próprio senhor incrível se viu com dificuldades em aceitar o protagonismo da mulher, e isso clarifica o quanto ainda há para mudar. O facto de o irmão da vilã ser quem tem um papel mais social e de apenas ao longo do tempo percebermos que o cérebro de toda a inovação estava na irmã e não nele, fez-me lembrar a questão dos prémio Nobel, em que muitas mulheres faziam as descobertas, mas quem ficava com a fama eram os seus professores ou maridos. Só mais tarde é que se lhes foi dado o devido reconhecimento, ou, em muitos casos, nunca foi.

E para quem acha que tudo isto é tudo mimimi, ainda hoje li uma notícia em que uma faculdade de medicina no Japão admitiu baixar notas às mulher para limitar as estudantes do sexo feminino. Não preciso de dizer para quê, não é? Portanto, fiquei agradavelmente surpreendida. No entanto, eu própria estranhei os papéis, o que me faz pensar que estou a começar a ficar velha e relutante em lutar contra os valores caquéticos que me foram incutidos. Tal como a humanidade vai fazendo, daí que seja difícil sairmos da sepa torta. 

 

 

 

 

 

lançar uma continuação 14 anos depois também me fez perceber outra coisa: Se antes me identificava com a Violeta e os meus primos com o flecha, tal já não acontece. De alguma forma passamos a identificarmo-nos com a mulher elástica e o senhor incrível e isso é assutador. Primeiro porque ninguém com 20 anos gosta de se identificar com alguém que está casado, sem emprego e com três filhos. E segundo, ninguém quer ter um filho que é um monstro. Ups, spoiler. Vá, vão-me dizer que não era previsível? Já agora, isso foi bué um exagero. A família inteira tem um poder e o puto mais novo tem todos e mais alguns... Mas no fundo compreendo, um filme feminista tem pouco interesse nos dias de hoje, tinham que garantir que havia algo que puxasse pelo pessoal, visto que, se repararem, aqui as heroínas não usavam decotes nem estavam semi-nuas.

 

 

 

 

 

Já agora, será que as feminazi já se lembraram de alegar que é machismo ser um puto do sexo masculino ter mais poderes que os outros todos? Não podia ser a violeta? Gostava de assistir a essa discussão e a ver a comunidade LGBT+ a acusa-las de estarem a assumir o sexo do bebé, já que ele pode não se identificar com o sexo masculino e ser gender fluid. Quem ganharia?