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Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

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13.Ago.18

Não acreditar em Deus é que é

A definição de ateísmo é a negação categórica de alguma forma de divindade (vi na previsualização de um site qualquer que nem sequer me dei ao trabalho de abrir). No entanto eu acho que esta deveria ser reescrita: ser ateu é não acreditar em nada, é defender com unhas e dentes que não existe nada. É lutar para que todas as pessoas acreditem no nada. É ridicularizar todos os outros. É matar quem acredita em alguma coisa. Ok, estou a exagerar. Mas é azucrinar o juízo a quem acredita em Jesus ou usa um crucifixo. Mesmo que essa pessoa não seja um avec.

Para os que não acreditam em nada e vivem a sua vida descansados a denominação é: ateu normal.

 

 

 Se reparerem, atualmente, ser ateu e ser fanático está na moda. E como tal, é cada vez mais cool dizer que se é bué independente, que se é dono das suas próprias escolhas e que não se acredita naquilo que é imposto pela sociedade. Mesmo que só andem com roupa de marca e que tenham a necessidade de publicar o que estão a fazer de hora em hora. Uhh quanta afoiteza. Assim como é cada vez mais cool dizer que se é alguma coisa nesta sociedade... as pessoas tanto se queixam dos rótulos como os adoram. "Ui que eu sou homossexual, ui que eu sou demisexual, ui que eu sou ateu, ui que eu sou balança com ascendente virgem, ui que eu sou vegan" Vale a pena pensar nisto. Mas já estou a divagar. 

 

 

Os próprios humoristas usam imenso a carta do ateísmo, a piada do amigo imaginário, ou algo do género, visto que, uma forma de ganhar visibilidade é ser polémico e esse tipo de piadas num país que acredita que 3 crianças viram a nossa senhora de Fátima e que, em vez de exames toxicológicos, fizeram um santuário, claramente não caem bem... que é exatamente a forma que um humorista quer que caiam. Até aí tudo bem, sou a favor que cada pessoa pode fazer piadas com o que bem entender... e eu própria gosto de sentir a adrenalina de dizer piadas de mau gosto.  

 

 

 

No entanto, não percebo a necessidade de chegarem ao pé de uma pessoa e debitar toda a ciência porque a mesma precisa de abrir os olhos quanto à questão de não ir para o céu um dia. É que isto nem sequer tem piada. Aliás, tem. Se aceitarem ser crismados porque só são ateus para os amigos.

Será que essas pessoas acreditam mesmo que estão a fazer uma boa ação ao "abrir os olhos" ou gostam só de ser chatos? Será que os ateus fanáticos pensam que alguém que acredita na vida eterna ficará mais feliz depois de saber que, afinal, quando morrer não há nada? Tipo life change experience? É possível que alguém que sempre resistiu ao desejo de acabar com todos os seus problemas de uma vez através da fé, precise é mesmo que alguém lhe vá falar da teoria do Big Bang ou na teoria da evolução de Darwin e que lhe explique de que forma não se relaciona com a história Adão e Eva. Said no psycologist ever. 

No mundo ninguém pode ter a certeza de nada. Nem de Jesus, nem do Buda, nem de uma cena qualquer que os faça comer placentas. No entanto há uma coisa que eu sei: todos sabemos o mesmo, que é nada. A maneira como escolhemos lidar com a falta de respostas é da nossa inteira responsabilidade e risco. E, para uns, ser religioso é um risco muito menor do que não ser... se houver céu há, se não houver não há. Mas se houver inferno é chato não se ter aprendido o pai-nosso nem ter ido à missa bater com a mão no peito.  Para outros, perder tempo de vida a ir à missa é mais arriscado e preferem viver o único tempo que acreditam ter a fazer o que lhes der na gana. 

Portanto, cada um é livre de acreditar no que bem entender. Mas não me parece fazer grande sentido impôr as próprias crenças aos outros, mesmo que a própria crença seja não acreditar em nada. Ou acreditar em sete virgens depois da morte. Que é a mesma coisa.  

 

Além disso, não acho bem que essas pessoas continuem a ter prendas no natal e a gozar de feriados religiosos. Acho até que os patrões deviam exigir um pai-nosso e uma avé-maria antes de dispensarem os empregados a fim de saberem se são mesmo devotos. Era bom para economia do país, agora que penso nisso. Querem ser ateus criem os próprios feriados.

Outra coisa que eu acho mal é um ateu fanático querer casar-se pela igreja porque é bonito. E esta chateia-me especialmente por duas razões: além de não me querer casar, tenho um namorado ateu (como que ser benfiquista não fosse um defeito suficientemente grande) e que adora questionar a religião católica. Apesar disso, diz querer casar. Well, well, well, olhem só para o sr "sou tão cool porque tenho ateu escrito na testa"  a querer fazer parte dos rituais da casa. Espero que gostes desta quando fizeres a revisão ortográfica, meu lindo.

 

 

Quem está a ler isto deve-se estar a questionar sobre as minhas crenças. Mesmo quem me conhece bem, conhece-me mal neste campo. Algumas pessoas pensam que sou a pessoa mais religiosa do mundo. Que li a Bíblia. Que vou à missa todos os Domingos. Conhecem-me mal. Outras pensam que sou massónica, que não acredito em nada ou que, na pior das hipóteses, tenho algum tipo de pacto com o Diabo. Estão igualmente erradas. E eu percebo a confusão.

 

O facto é que eu sou aquilo que a pessoa com quem eu estiver não é, ou seja, sou só do contra. Portanto, é normal que o meu namorado ache que eu só não fui para freira porque o conheci. Assim como, é normal que a Marta Roque sofra bullying por ter sido acólita. E assim vai continuar a ser.

Quem for alguma coisa que haja como tal, mas que perca a necessidade de o rotular e mostrar aos outros. Não vale a pena irem à missa para mostrar aos comuns mortais que são boas pessoas, assim como não vale a pena dizerem aos comuns mortais que são ateus, mas pedirem a Deus para passarem às cadeiras. Ou sim ou sopas.

 

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