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Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

01.Ago.18

Je sui huile d'olive

Estamos no primeiro dia de Agosto e a cidade de Viseu já tem outro movimento. Nela já se vêem os senhores emigrantes bem montados nos seus BMWs, audis, seats todos quitados ou carros cuja a marca desconheço, mas que têm aquela forma de carro bom e fazem brum brum a 50 km/h no túnel (a esta velocidade porque têm lentos à frente), a maioria deles alugados e com o símbolo da federação portuguesa de futebol no vidro. E qual é o problema? Destes todos apenas um. Os BMW portugueses já me incomodavam o suficiente.

 

 

Antes de continuar, devo esclarecer que não tenho problema absolutamente nenhum com quem tem a coragem de abandonar o seu país e lutar em busca de uma vida melhor. São muitas as barreiras encontradas quando não se trabalha no país de origem e sorte tem quem não precisa de passar por elas. Até hoje não precisei, mas sei de quem o fez por mim e nunca saberei se não me encontrarei na mesma situação. No entanto, isso não me faz não poder falar mal de certas paroladas e vontade não me falta.

 

Todos conhecemos a piada do "andam um ano a comer latinhas de atum para em Agosto poderem estoirar". Piada de mau gosto. Não é preciso ser emigrante para fazer isso até porque eu própria já estive um ano a latinhas e nunca saí do meu país para trabalhar. Foi quando saí de casa dos meus pais para estudar. Uma mãe faz muita falta. Portanto, tendo em conta que os emigrantes vivem sem os papás, não me admira nada que também aconteça com eles. Se a desculpa de poupar dinheiro para as férias era melhor? É discutível. Mas estou a falar disto porquê? Foi ainda agora que vi um meme a gozar com a emigrantada e nos comentários estavam dois indíviduos que trabalham no Luxemburgo a pedir arroz do pingo doce para matarem fome aos pt (pormenor importante: disseram-no em hashtag e um deles tinha a foto de um seat foleiro na capa). Isto deixou-me indignada... mas afinal qual é o problema do arroz do pingo doce? É branco, vem em grãos, embalado, coze bem... Será que o arroz no Luxemburgo é diferente? E se for... como é que eles sabem? Vem em latas? Intrigante.

 

 

Os meus pais foram emigrantes. E há uma coisa que eles dizem que eu não me esqueço: "As pessoas pensam que estar emigrado é chegar lá fora, dar um murro numa pedra e o dinheiro aparece". Quem pensa assim é claramente burro. No entanto, temos que admitir que é a imagem que muitos emigrantes gostam de passar. É raro ver um sr emigrante a admitir que está a fazer o que os outros não querem, a ganhar menos que os o pessoal de lá e a trabalhar o dobro. Nunca vi. Têm vidas fantásticas, grandes carros (um para cada elemento da família que fazem questão de trazer e mostrar, visto que, 4 pessoas não cabem num carro francês) e grandes casas. Na boca deles. Porque nem me venham com histórias... um jeep que tem a escada sem um único arranhão das duas uma: ou foi acabadinho de comprar ou então obrigam o jean pierre da silva a calçar as pantufas antes de entrar. 

 

 

Estes dias estive a servir num restaurante (uhhh que pobre, devo comer arroz do pingo doce) e, sem surpresa, servi emigrantes. E claro, poucas palavras em português proferiram. E qual é o mal? Muitas vezes vejo os portugueses a criticar porque os emigrantes não falam português só porque se querem mostrar. Eu acho isso um exagero... eu própria, nascida na Suíça, se voltasse para lá não saberia dizer uma única palavra em francês. É normal que quando estamos muito tempo sem ir a um país nos esqueçamos da língua do mesmo e eu sou a prova viva disso. Pormenor importante: saí de lá com 4 anos... mas não somos todos iguais. Já agora, servi-lhes várias doses de arroz... muito provavelmente do pingo doce.

 

 

"Oh vocês têm inveja". Esta é uma resposta que eu vejo muito em comentários. Poderá ser verdade, para algumas pessoas. No entanto pensemos juntos: Quem critica tem a perfeita noção que a França, o Luxemburgo, a Bélgica ou marte não são o paraíso na terra para ninguém, quanto mais para quem é de fora. E isso não diminui quem lá está, muito pelo contrário. No entanto, 70% dos emigrantes estão lagados de azeite e mania e essa é a origem das críticas. Nota: ninguém tem inveja de um azeiteiro que se acha a última bolacha do pacote... mesmo que esse azeiteiro esteja bem montado.

 

 

Como detetar um "je sui huile d'olive"?

 

 

Deixo para um próximo post porque agora ando a passear pela capital.