Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

06.Ago.18

Férias na Madeira

Esta é aquela altura do ano em que vejo o instragam cheio de fotos dos momentos mais brilhantes da vida dos jovens: as férias pagas às custas dos pais.

 

Eles/as vão a hoteis, vão a discotecas, vão passar semanas ao Algarve, tudo.... e muitos deles/as são de fazer isto o ano inteiro. É uma festa, qual crise qual quê. Dizem que o país está em crise, mas a geringonça funcionou tão bem que o pessoal ficou todo rico de uma vez. Ou então sou eu, que tenho contactos acima do meu nível. Muito acima. 

 

No entanto, estou para aqui a falar, mas não me posso queixar. Apesar de há largos anos não sentir a àgua do mar por mais que um dia na praia mais rasca e mais perto daqui que é para não perder muito tempo (e gasóleo) em viagens, todos os anos tenho direito a uma ida, por mais de 2 semanas, paga à ilha da madeira. É mesmo uma ilha. Uma ilha com madeira.

No fundo, sou eu a tentar rentabilizar e aproveitar as minhas férias ao máximo. E eu levo isso tão a sério que aproveito cada viagem rápida de carrinho de mão para bronzear as perninhas e os bracinhos, que por si só, ao longo destes anos, passaram a ser as partes mais bronzeadas do meu corpo e as únicas. Qual trolha qual quê... é bronze da madeira. 

 

Muitos olham de lado quando conto os meus planos para o verão. "O quê? A sério que não vais à praia?" Opa, ya, já vos disse que não gosto de praia? O mais engraçado é que dizem isto com aquele ar de pena, como se a minha vida fosse comparável a uma vítima de trabalhos forçados ou algo do género. Tanta empatia pela pobre coitada que não vai molhar a passareca ao mar, mas tão pouca pela mãe ou o pai que vão trabalhar todos os dias e ainda têm que lhes fazer tudo em casa.

 

Outros dizem "Mas os teus pais não podem fazer isso?" Podem, não é obvio? Mas além de me pagarem a universidade, de trabalharem que nem cães o dia todo e de eu já ter 22 anos e viver à custa deles, não acham que era um bocado chunga pedir dinheiro para ir alapar o cu ao sol, quando tenho uma oportunidade única de conciliar praia e ginásio numa só atividade? É só vantagens para todos os lados. 

 

"Mas fogo, isso é trabalho de homem" Esta frase dita por uma gaja é digna de ser seguida por um estalo bem dado nas ventas. Querem igualdade e depois é isto. Para além de que, no inverno, geralmente quem tem mais frio são as mulheres. Também gostava de ver estas pessoas a dizerem ao namorado "estás a cozinhar? Mas isso é trabalho de mulher! Sai lá daí e vai para o sofá que eu já faço isso". Felizmente nunca vai ser preciso, visto que, perpetuando o nível de vida que tanto lutaram para conseguir, é claro que vão ter uma empregada em casa que lhes faça tudo. 

 

"Então, mas se não gostas de praia podias ir visitar um país qualquer" Boa ideia. Vou anotar, talvez um dia quanto acabar o curso e viver com o meu dinheiro pense nisso.  Se pedir aos papás era mais fácil? Era. Vou pensar nessa também ... Enquanto isso, vou tentando poupar algum daquele que recebo deles ou vou continuar a arranjar trabalhos que me exploram e me pagam 2,5€ à hora. Só aceitei porque quis... serviu de lição para não aceitar trabalhar por dinheiro que nem para o transporte dá.

 

Isto tudo para dizer o quê? Somos todos uns priveligiados se lermos notícias. Mas também temos uma vida de merda se olharmos para o instagram. Principalmente porque conhecemos 90% do pessoal que lá aparece e sabemos que têm alguém a matar-se para lhes dar a oportunidade de parecerem ricos nas redes sociais, quando todos sabem que não são.

 

Mas estou para aqui toda revoltada porque tenho inveja, admito, e acima de tudo, lenha para arrumar. Pode ser que me dê para meter uns instastorys das minhas holidays com os friends e que ainda tenha forças para desenhar um coração lá no meio.