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Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

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28.Jul.18

Estar em relações abusivas é como fumar

Hoje em dia, tolerar atitudes de merda do namorado/a é como fumar: é estúpido. Para ambas as coisas há imensa informação: só fuma quem quer. Os fumadores sabem bem os malefícios do fumo do tabaco antes de pegarem num cigarro pela primeira vez. A partir daí, fazem uma escolha informada.

 

 Tal como acontece com as meninas e meninos que, em pleno século XXI, detetam os sinais de violência no namoro e, ainda assim, decidem continuar com alguém que claramente tem traços de ser um monte de merda.

 

E não é preciso ser psicólogo ou de ligar para a helena das cartas para detetar estas coisas.  Uma pessoa que acha que o sujeito/a com quem partilha as experiências, com quem desabafa, com quem o tempo passa a correr, não se pode vestir da forma que bem entender, claramente não quer saber do bem dela para nada, mas sim do bem próprio. Uma besta que diz que a pessoa com quem copula ou anda de mãos dadas na rua não pode ter amigos, claramente, além de não ter confiança no seu desempenho, não bate bem da pinha, mas vai bater bem na amada/o.

 

Desculpem, mas eu não consigo imaginar a tamanha falta de auto-confiança que alguém pode ter, para achar que um café com a amiga/o de longa data é um indicador de que algo se passa.

 

Para ti que pensas assim: concerteza f*des mal, és desinteressante e sabes disso, mas não queres fazer nada para o melhorar.

 

Atenção que não me estou a referir aquelas pessoas que claramente nasceram e viveram numa geração diferente, em que a violência era sempre desculpada e arrastada para debaixo do tapete, em que não havia muita informação sobre os sinais que aparecerem no namoro e adivinham tragédias ou em que o incentivo à separação era inexistente pela não aceitação da sociedade. Conheço casos desses de perto. Um deles há anos e nada mudou... nem vai mudar até que uma tragédia aconteça. Refiro-me aquelas que HOJE têm meios para evitar isso, mas que ainda assim não o fazem. É o deixa andar.

 

Tal como acontece com quem fuma, quando mais tempo demorarem a terminar, mais díficil se tornam as coisas. E toda a gente sabe desta ciência. No entanto, continuamos a assistir a jovens que são chantageados, têm as suas escolhas limitadas ou levam mesmo na tromba dos amados/as e continuam com eles/as. Mais grave do que isto, é continuar a assitir a pessoas que desabafam com os amigos sobre as suas experiências, levam os melhores conselhos e ainda os ignoram na esperança que as pessoas mudem. Muitas vezes levam a mal os amigos. Opa, chamem-me fria, mas isto é burrice.

 

Pode ser difícil de acreditar, mas saber daquela rapariga que já admitiu que apanhou duas vezes do rapaz com quem anda há imensos anos, ou da outra com quem o namorado fazia cenas no secundário quando os amigos rapazes lhe diziam "olá", ou daquela camisola com decote que outra teve que deixar de usar, é muito fácil e frequente. Raparigas dos 16 aos 23 anos. Raparigas que têm amigos que lhes abrem os olhos, que têm imensos exemplos de tragédias, raparigas inteligentes, que têm apoio, mas não têm força mental para deixarem de se iludir. E garanto-vos. Em todos estes casos que referi estou a falar de pessoas fisicamente muito atraentes, ou seja, que facilmente arranjariam alguém melhor...o que também não era díficil. 

Também acontece, em noites de bebedeira, assitir ao rapaz fora de si a gritar com a namorada a chorar. Numa cena destas, que eu assisti depois da serenata monumental, muita gente abordou a miúda afim de saber se ela precisava de ajuda. Muita gente esperou para ver se a triste criatura lhe batia efetivamente... o que acabou por não acontecer, mas só daquela vez, aposto. E muita gente ficou revoltada porque ele lhe virou costas e ela foi atrás. Oh amiga, queres o quê?! Apanhar no lombo assim que ele souber que não há ninguém a ver?

 

E antes que digam que só estou a dar exemplos de raparigas e que os homens também sofrem de violência doméstica deixem-me dizer que concordo, mas não tenho culpa de não conhecer nenhum desses casos pessoalmente, pelo facto de ainda serem muito olhados de lado e de ainda não haver muita compreensão. Sobre este problema, é triste que a sociedade continue a estigmatizar as vítimas de relações abusivas, só porque acham que um homem que apanha de uma mulher é um coninhas.

Eu não preciso de ter mais força que o meu namorado (porque não tenho), para saber que lhe virava o psicológico se lhe dissesse que se voltasse a sair com as amigas me atirava da ponte de santa clara. Ou que se lhe apontasse uma faca assim que ele chegasse de uma noitada pouco ele poderia fazer. Ou que se lhe espetasse um estalo num ataque de fúria ele não me espetava outro porque "Um homem não bate em mulheres". E neste caso devia bater. É o único. Vá talvez não seja o único, há quem goste em certas situ... lá estou eu a vaguear. 

 

 

 

No entanto, em todas estas situações a melhor solução seria a mesma das relações em que são as mulheres as vítimas: dar o baza.

 

"Ah e tal mas as coisas não são assim tão fáceis... há casos que envolvem crianças e em que as pessoas são perseguidas e ameaçadas de morte"

Sim, infelizmente eu sei disso. Por isso é que todos os meus comentários anteriores se dirigiam mais ao pessoal da minha idade e mais novo que se sujeita a este tipo de situações na esperança que as coisas mudem. Convém clarificar que não estou, de todo, a CULPAR AS VÍTIMAS. Ninguém sabe o que nos espera. Mas por isso é que é importante não se achar especial, não achar que connosco vai ser diferente. Muitas vezes, é por se ignorarem todos os sinais, conselhos e alertas que se chegam a situações graves.

E bem sabemos o papel da justiça a proteger as vítimas, que é pouco. Se não usarmos a informação que, atualmente é imensa, e nos protegermos a nós próprios, muito dificilmente alguém o vai fazer por nós.

 

Portanto, a todas as vítimas adolescentes ou jovens que estão em relações abusivas VALORIZEM-SE e abandonem o barco o mais rapidamente possível. Não tenham pena de quem deixam para trás, ou um dia vão ter pena de vocês. Todos temos problemas na vida, se a pessoa com quem estão por acaso se vitimiza com essas tretas adoptem a atitude egoísta de "Antes tu, que eu".

 

Aos retardados que se acham no direito de fazer das pessoas sacos de pancada físicos ou emocionais: tratem-se. 

 

 

 

Ao pessoal que fuma: deixem-se disso também.

 

 

 

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