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Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

06.Ago.18

"Acho que devias conhecer os meus pais"

Quem é que já teve pesadelos com este problema, han? Quem é que se engasga a beber água quando o boy sugere que vá conhecer a mãezinha que ele tanto adora? Quem é que pesquisa o signo da mesma? Toda a gente. Quem é que já chorou no chão do quarto, em posição fetal que nem autista, porque não sabe se deve levar o boy a casa, visto que, há uma caçadeira atrás da porta? Alguém? Eu também não... ok, talvez uma vez.

 

Quem é que namora com um lisboeta que ainda por cima é o baby mais novo da mãe? Quem é, quem é? Ya, sou eu. Obrigada pelo apoio, está tudo bem. 

 

Já quase todos/as passamos pela estranha situação de ter que entrar pela casa a dentro dos progenitores do namorado/a e dar o corpo ao manifesto. Esta e daquelas situações em que sabemos que vamos para a guerra, mas que não temos qualquer tipo de treino, mapa, arma, munições para nos defendermos. Depois de entrar em campo é seja o que Deus quiser. E Deus queira que façamos boa figura, o que não é nada fácil.

 

Uma vez uma tia minha disse "Eu agora percebo que a minha sogra não goste de mim. Então eu algum dia vou gostar de quem me vier tirar o meu menino? Nem pensar!"

 

E faz sentido... vejam as coisas por este prisma: vocês têm um filho/a. Mudam as fraldas ao puto, aturam birras, pagam roupa, comida, álcool (mais tarde e sem saberem), têm mil e uma preocupações e, de repente, aparece um chico/a esperto/a que vos leva todo o vosso investimento e que, além disso, passa a ser uma prioridade. A vida é ingrata... sobretudo para as noras. E para mim. Façamos um minuto de silêncio por todas as mulheres cujo cupido lhes destinou um filho mais novo ou um filho único. Façam um minuto de silêncio por mim, pois saiu-me na rifa o último da ninhada e, além disso, há o risco de ser levado para longe da mãe e ela sabe disso.

 

 

 

Portanto, sendo conhecedora de todos estes factos, é normal que estivesse um tanto ao quanto reticente em conhecer as origens da minha cara metade (ugh "cara metade" é um expressão tão à revista Maria... desculpem, quis variar).

 

Ora bem, para quem lê os meus posts não é novidade que sou de Viseu. Quem diz Viseu diz arredores. Quem diz arredores diz aldeia. Quem diz aldeia diz gruta. Estou a brincar, isso é só na época de exames. Portanto, sou de uma aldeia no arredores de Viseu. O meu namorado é de Lisboa... vá arredores, no entanto, da mesma forma que gosto dizer que sou de Viseu tb ele pode dizer que é da capital. É mais chique. 

Assim, ter crescido no meio da palha e namorar com um lindinho de Lx que teve asma em criança (típico de menino da cidade) implica muitas coisas que as relações normais também implicam (ninguém diria, não é?). Uma delas é ter que conhecer as famílias. Ele a minha e eu a dele. É uma cena social e transversal a todo o país, parece-me... podia não ser e nós agradeciamos. E as experiências não poderiam ser mais díspares.

 

 

A minha família é mais tradicional. É a típica família numerosa que junta tios, primos, avós,... para almoços/jantares sempre que pode. A família dele é a típica família Lisboeta que junta mãe, pai e filhos sempre que deve. Portanto, a primeira vez que trouxe o rapaz cá a casa para conhecer os meus pais teve direito a tios, tias, primos, primas, namorados das primas e namoradas dos primos, bem vocês já perceberam. Foi um choque... para mim. Por incrível que pareça eu não estava à espera. Sou um bocado inocente e acreditei mesmo que a minha mãe não ia dizer a ninguém que eu ia trazer "o rapaz" pela primeira vez a casa. Colapsei. Apresentar o namorado à família significa que, muito provavelmente, já é para casar. Isso, como é obvio, assusta qualquer pessoa, principalmente se for como eu e não tencionar casar sequer. E ele? Nem sentiu. Típico gajo.

Além de ter que ter lidado com um batalhão de pessoas no espaço de 1hora, teve que lidar com mil perguntas (pffff perguntas é algo que as famílias adoram fazer) dignas de questionários de ressenciamento. Onde vives, com quem, o que fazes para ganhar a vida, doenças, boletim de vacinas, ... Também levou um cartão de visitas que dizia "Oh rapaz vê lá se te portas bem, que tu vives longe mas a família é grande e a gente fornica-te o pescoço se for preciso". Foi agradável... Depois da praxe é como se fosse da família. Já apanhou batatas como tal. 

 

A primeira vez que ele me levou a casa dele foi bastante parecida... tirando a parte em que não teve semelhança absolutamente nenhuma. Além de nem sequer ter avisado os pais, a mãe foi apanhada de surpresa (de robe) e o pai nem sequer estava pela cidade. Primeiro choque cultural, como lhe gosto de chamar, ou talvez azelhice do moço. São sempre os mesmos.

Escusado será dizer que me senti "uma qualquer" ou, pior que isso, "mais uma" e não sei se alguma vez lhe disse isto. Se não disse aproveito agora, visto que é ele quem me faz a revisão ortográfica dos textos. Portanto meu menino, fiquei chateada.

 

Perguntas? Poucas ou nenhumas. Ameaças ou avisos? Graças a Deus, nenhuns. Somos todos amigos, a casa é tua, faz o que quiseres a gente vê-se por aí. "Já agora, já comeste caracóis? Não? Então espera aí..." Depois desse almoço senti que era capaz de passar por tudo e qualquer coisa na vida... Além de que comer caracóis pela primeira vez, para agradar a família de alguém é só a coisa mais romântica que eu já vi fazer. Será amor? Espero que sim, porque não estou para experimentar mais comidas típicas com aspeto nojento para agradar progenitores.

 

 Comer caracóis pela primeira vez, para agradar a família de alguém, é só a coisa mais romântica que já vi fazer.

 

 

 

 

 

 

E foi mais ou menos isto que se passou há cerca de um ano atrás. Admito que foi mais difícil do que eu pensei visto que não esperava ter que comer caracóis. No entanto, também não esperava não ter que me preocupar com as regras à mesa nem com a não demonstração dos meus dotes culinários, de forma a provar que estou a altura para continuar a cuidar da cria para o resto da vida. Não estou, ele sabe disso e espero que ela também.

 

Para todas as pessoas que estão prestes a passar por essa situação deixem-me dar-vos os meus melhores conselhos:

Rapazes: apertar a mão com firmeza, olhar nos olhos do pai da moça e recusar o vinho da mesa dizendo "não bebo" parece-me ser um bom começo para serem amigos. Vão reforçar a relação quando admitirem que bebem como os outros. 

Raparigas: Não há nada a não temer... não há absolutamente nada que possam fazer ou dizer que faça a mãe do moço gostar de vocês. Pelo menos da primeira vez que lhe aparecerem à frente. Não desistam, as coisas vão lá com o tempo... espero eu! Ah, e não recusem caracóis. Sejam fortes.