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Não, mas agora a sério...

Estava a gozar.

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24.Ago.18

A problemática do livre acesso à Internet

 A Internet não é para todos. Mas, o triste é que é. Qualquer puto, qualquer rebarbado, qualquer ignorante tem acesso a esta ferramenta que tem tanto de útil como de perigosa, e eu acho sinceramente que, sendo nós seres inteligentes, isso deveria ser mudado. 

 

Depois de uma pesquisa rápida sem resultados fidedignos, eu imagino que, após a invenção do carro, não foram criadas desde logo as cartas de condução. Naquela altura, toda a gente (que tivesse pila e dinheiro) podia pegar num automóvel. Só mais tarde, com a evolução do homo sapiens e com a percepção de que as coisas podiam dar merda se não fossem controladas, é que decidiram criar as ditas...digo eu.

Ora, atualmente, eu acredito que ainda estamos a viver esse tempo, mas com a Internet.

 

Tal como não faz sentido pôr um puto de 12 anos que ainda usa caps e calças ao fundo do cu a conduzir porque pode matar outros humanos que poderão vir a ter um papel relevante para a sociedade (não ele, porque usa CAP), também não faz sentido nenhum permitir o acesso à Internet a pessoas não aptas que possam perturbar o bem-estar de outros seres humanos, com publicações, partilhas, ideologias, etc e leva-los ao desespero, por exemplo.  Há coisas online que nos fazem perder a fé num mundo melhor.

 

Assim, eu acho que a sociedade devia debruçar-se sobre esta problemática que, se pensarmos bem, acarreta grandes riscos para a paz e sossego da maioria, assim como, compromete a evolução da espécie. 

 

E vocês dizem "Ah mas conduzir mal pode matar alguém... não queiras comparar"

 

Mas estamo-nos a esquecer daqueles desafios parvos que são a delícia de qualquer adolescente burro que quer chamar a atenção? Baleias azuis, desafios do fogo, e outras merdas já tiveram imensas vítimas... Ainda acham que não é perigoso? 

(Vá, aqui admito que uma parte bem grande de mim... não tem pena. Vem-me sempre à mente o conceito de "seleção natural" e, portanto, divide a minha opinião na temática do controlo da Internet.)

 

"Pronto, tudo bem. Mas para isso podem-se criar maneiras de limitar o uso da Internet consoante a idade"

 

Ora, supostamente isso já é feito, mas pressupõe a existência de adultos responsáveis em casa, o que é raro. Ninguém acredita que aquela pergunta do "Declara que tem mais de 18 anos" funciona, certo? E também já percebemos que ter mais que 18 anos não significa estar apto para merda nenhuma, não já? Então chegamos à conclusão que esses meios não são eficazes para impedir que a estupidez chegue, por exemplo, às redes sociais, e se propague. Já agora, aquela história de pedirem a data de nascimento já não impede nem os meus primos de 3 anos que só estão caladinhos e quietos de tablet na mão. 

 

Mas esta conversa está a levar a crer que só a malta nova é que faz merda online e que a maturidade é a solução para esses problemas... o que não é verdade e a prova disso é a formação que os nossos pais têm que receber de nós, seus pupilos, para estarem aptos a não carregarem em publicidades enganosas. Não é fácil meter-lhes na cabeça que não ganharam concurso nenhum ou que não são obrigados a matar mosca. Outro desafio é mostrar a diferença entre falar num chat e falar em comentários. Este é um problema grave. Ainda mais grave é pensarmos que nem todos recebem formações grátis de pupilos, e portanto é comum encontrarmos um "Oi linda, como estás" na caixa de comentários de uma foto de perfil, feito por alguém que se chama "manuel marques marques" ou "saroca teixeira".

 

Pior que isto é aquela malta mais velha que, depois de descobrir as maravilhas do facebook, acha incrível adicionar meninas novas e mandar-lhes mensagens, na esperança que as mesmas tenham nascido sem olhos na cara e os aceitem online...  Se tivessem uma formação, alguém lhes diria que o tinder não é ali e que a dificuldade de engatar gajas novas quando se é velho, gordo e feio no mundo virtual é semelhante à da vida real.

 

 

Assim espero que vos tenha convencido da importância da criação de uma formação, seguida de um teste OBRIGATÓRIO para a utilização da Internet. E eu até já pensei em algumas coisas.

 

O teste seria composto por várias partes, dependendo da competência a avaliar:

 

  • Na parte escrita, o testado teria que passar por uma prova que demonstrasse a habilidade de escrever sem k e x. Uma pequena composição, um comentário, algo do género era suficiente. 

 

  • Na parte do controlo emocional, o sujeito seria exposto a diversas notícias sobre o casamento homossexual, sobre as paradas gay, sobre os refugiados, esse tipo de assuntos polémicos. O objetivo era perceber se o mesmo seria capaz de tecer comentários sem ofender ninguém e, para ter a pontuação máxima, sem demonstar vestígios de burrice. 

 

  • No raciocínio lógico, o sujeito seria exposto aos exercícios simples e muito caracteristicos desta categoria... aqueles exercícios encontrados em testes de QI. O objetivo aqui seria concluir se a pessoa testada seria capaz de, um dia, quando exposta a uma tentativa de extorsão de dinheiro como, por exemplo, "FOI O GRANDE SELECIONADO DO NOSSO CONCURSO! GANHOU 1000 EUROS. CLIQUE PARA LEVANTAR" perceber que, além da velha máxima do "ninguém dá nada a ninguém", continua a não ser possível ganhar concursos sem se participar nos mesmos.Esta parte seria a mais importante do teste, pois através dela livrar-nos-íamos de todas as pessos que partilham fotos de meninos com cancro ou outras enfermidades trágicas e pedem likes por eles, como se isso fosse a solução para todos os problemas. Imagens com Jesus de um lado e o diabo do outro que dizem "se vc ama Jesus partilha, se vc ama o outro, apenas olhe" iriam fazer parte do passado. 

 

Convenhamos que este esboço de teste ainda está muito incompleto, pois mais categorias seriam necessárias para acabarmos com as feminazi que acham que vão mudar o mundo com comentários extensos escritos em CAPS LOCK, com os vegans que acreditam que me vão convencer a não comer carne obrigando-me a ver imagens chocantes de animais a serem torturados, com youtubers que acham que são bué fixes porque comem colheres de canela e com os tweets do Trump. Vá, estava a gozar. O Trump fica.

 

14.Ago.18

Um quadrado preto em memória de alguém

Um dia destes estava a fazer um scroll down no facebook quando me deparei com fotos de perfil que se assemelham com um trágico quadrado preto. Outras diziam ainda "luto" ou "saudade eterna". Duplamente trágico. E isto fez-me pensar: qual é a necessidade?

 

Decidi investigar a questão mais a fundo, que é como quem diz, continuar o sroll, e percebi que, estas pessoas, além de mudarem a foto de perfil para um símbolo que se assemelha com um laço, também publicam textos fofinhos com fotos da pessoa que viu o fim à sua vida. Tal como fazem com os aniversários... a diferença é que aí as pessoas estão vivas para ler.

O mais macabro disto tudo foi perceber que além de se dirigirem à página pessoal da "vítima" e publicarem um "descansa em paz", há mesmo quem identifique a pessoa que morreu na sua dedicatória. E isto nem sequer faz sentido...A não ser que VOCÊS queiram que as restantes pessoas vivas no mundo saibam quem é que morreu. E que essas pessoas saibam ainda o que essa pessoa era para VOCÊS. E que essas pessoas saibam ainda que VOCÊS são umas vítimas da vida. Mais do que quem morreu. Ou seja, isto não é sobre o defunto. É sobre vocês.

 

Eu percebo que muita gente queira homenagear os entes queridos que falecem. E que esta seja, talvez, a melhor forma que algumas pessoas encontram para lidar com a dor. Para os restantes 90% acredito que seja uma boa forma de lidar com a falta de atenção, porque meter um quadrado preto a dizer "luto" não só é uma repetição, visto que o quadrado ja falaria por si, como uma forma fácil de ganhar likes e atenção às custas de alguém que, muitas vezes, mal conhecem.

 

Se pensarmos bem, fazer dedicatórias no facebook às pessoas depois de mortas é quase tão inútil como fazer o mesmo a pessoas vivas sem facebook, como já é habitual no dia do pai ou dos avós.

 

Todos sabemos que no céu ou no inferno não há Internet. Pelo menos a Internet da NOS. É fisicamente impossível quando não consigo sequer ter um sinal suficientemente forte no meu quarto. No entanto, admito que esta teoria pode estar errada. Portanto sou capaz de apostar que é preciso ser-se muito boa pessoa em terra para se receber a password da Internet Divinal. E eu só vejo santos na Igreja e são de barro.

 

 "Ah, mas agora a página de facebook é como que um memorial da pessoa" Ok, eu percebo isso. Antigamente existiam as campas para deixarmos flores e orações. Que, a propósito, continuam a existir. A diferença é que com esse método ninguém vê o nosso sofrimento. E ninguém quer isso. 

Lembrei-me agora que ainda mais macabras, são as fotos tiradas com as pessoas no caixão. Isto existe e não merece mais comentários.

 

Se for a analisar a questão com seriedade, sou capaz de perceber que a Internet é, atualmente, um espaço que cria a ilusão de uma conexão virtual e permanente com a pessoa que parte para o outro mundo, seja ele qual for. Através dela, as pessoas deixam mensagens, momentos e desabafos. No entanto, eu não posso deixar de pensar que é um bocado estranho e um sinal de fraqueza, que nos caracteriza enquanto membros dos "millennials", querer amenizar a realidade. As pessoas morrem e desaparecem fisicamente. No entanto, será que isto já não era feito pela criação de crenças religiosas que nos faziam ampliar a vida numa outra esfera? Será que o facto de cada vez mais pessoas desacreditarem na vida eterna está relacionado? Será que a humanidade sempre foi fraca? Deep. Vou parar por aqui. 

 

 

 A boa notícia é que no fundo posso ser eu que estou a ficar demasiado velha para aceitar as modernices. Pois até o Facebook tem um coisinha bastante creepy chamada conta legado. A propósito eu já tratei disso, de forma a que, quando bater a bota, a minha conta se elimine assim que alguém avisar. Admito que não dormi bem nessa noite a pensar que o facto de ter tratado da minha conta pós-morte poderia ser um presságio para o que me iria acontecer no dia seguinte. Não aconteceu nada... fui bastante cuidadosa a atravessar passadeiras.

No entanto folgo em saber que não terei que me preocupar em ler e responder a dedicatórias enquanto estiver na lista de espera do céu ou do inferno.

 

13.Ago.18

Não acreditar em Deus é que é

A definição de ateísmo é a negação categórica de alguma forma de divindade (vi na previsualização de um site qualquer que nem sequer me dei ao trabalho de abrir). No entanto eu acho que esta deveria ser reescrita: ser ateu é não acreditar em nada, é defender com unhas e dentes que não existe nada. É lutar para que todas as pessoas acreditem no nada. É ridicularizar todos os outros. É matar quem acredita em alguma coisa. Ok, estou a exagerar. Mas é azucrinar o juízo a quem acredita em Jesus ou usa um crucifixo. Mesmo que essa pessoa não seja um avec.

Para os que não acreditam em nada e vivem a sua vida descansados a denominação é: ateu normal.

 

 

 Se reparerem, atualmente, ser ateu e ser fanático está na moda. E como tal, é cada vez mais cool dizer que se é bué independente, que se é dono das suas próprias escolhas e que não se acredita naquilo que é imposto pela sociedade. Mesmo que só andem com roupa de marca e que tenham a necessidade de publicar o que estão a fazer de hora em hora. Uhh quanta afoiteza. Assim como é cada vez mais cool dizer que se é alguma coisa nesta sociedade... as pessoas tanto se queixam dos rótulos como os adoram. "Ui que eu sou homossexual, ui que eu sou demisexual, ui que eu sou ateu, ui que eu sou balança com ascendente virgem, ui que eu sou vegan" Vale a pena pensar nisto. Mas já estou a divagar. 

 

 

Os próprios humoristas usam imenso a carta do ateísmo, a piada do amigo imaginário, ou algo do género, visto que, uma forma de ganhar visibilidade é ser polémico e esse tipo de piadas num país que acredita que 3 crianças viram a nossa senhora de Fátima e que, em vez de exames toxicológicos, fizeram um santuário, claramente não caem bem... que é exatamente a forma que um humorista quer que caiam. Até aí tudo bem, sou a favor que cada pessoa pode fazer piadas com o que bem entender... e eu própria gosto de sentir a adrenalina de dizer piadas de mau gosto.  

 

 

 

No entanto, não percebo a necessidade de chegarem ao pé de uma pessoa e debitar toda a ciência porque a mesma precisa de abrir os olhos quanto à questão de não ir para o céu um dia. É que isto nem sequer tem piada. Aliás, tem. Se aceitarem ser crismados porque só são ateus para os amigos.

Será que essas pessoas acreditam mesmo que estão a fazer uma boa ação ao "abrir os olhos" ou gostam só de ser chatos? Será que os ateus fanáticos pensam que alguém que acredita na vida eterna ficará mais feliz depois de saber que, afinal, quando morrer não há nada? Tipo life change experience? É possível que alguém que sempre resistiu ao desejo de acabar com todos os seus problemas de uma vez através da fé, precise é mesmo que alguém lhe vá falar da teoria do Big Bang ou na teoria da evolução de Darwin e que lhe explique de que forma não se relaciona com a história Adão e Eva. Said no psycologist ever. 

No mundo ninguém pode ter a certeza de nada. Nem de Jesus, nem do Buda, nem de uma cena qualquer que os faça comer placentas. No entanto há uma coisa que eu sei: todos sabemos o mesmo, que é nada. A maneira como escolhemos lidar com a falta de respostas é da nossa inteira responsabilidade e risco. E, para uns, ser religioso é um risco muito menor do que não ser... se houver céu há, se não houver não há. Mas se houver inferno é chato não se ter aprendido o pai-nosso nem ter ido à missa bater com a mão no peito.  Para outros, perder tempo de vida a ir à missa é mais arriscado e preferem viver o único tempo que acreditam ter a fazer o que lhes der na gana. 

Portanto, cada um é livre de acreditar no que bem entender. Mas não me parece fazer grande sentido impôr as próprias crenças aos outros, mesmo que a própria crença seja não acreditar em nada. Ou acreditar em sete virgens depois da morte. Que é a mesma coisa.  

 

Além disso, não acho bem que essas pessoas continuem a ter prendas no natal e a gozar de feriados religiosos. Acho até que os patrões deviam exigir um pai-nosso e uma avé-maria antes de dispensarem os empregados a fim de saberem se são mesmo devotos. Era bom para economia do país, agora que penso nisso. Querem ser ateus criem os próprios feriados.

Outra coisa que eu acho mal é um ateu fanático querer casar-se pela igreja porque é bonito. E esta chateia-me especialmente por duas razões: além de não me querer casar, tenho um namorado ateu (como que ser benfiquista não fosse um defeito suficientemente grande) e que adora questionar a religião católica. Apesar disso, diz querer casar. Well, well, well, olhem só para o sr "sou tão cool porque tenho ateu escrito na testa"  a querer fazer parte dos rituais da casa. Espero que gostes desta quando fizeres a revisão ortográfica, meu lindo.

 

 

Quem está a ler isto deve-se estar a questionar sobre as minhas crenças. Mesmo quem me conhece bem, conhece-me mal neste campo. Algumas pessoas pensam que sou a pessoa mais religiosa do mundo. Que li a Bíblia. Que vou à missa todos os Domingos. Conhecem-me mal. Outras pensam que sou massónica, que não acredito em nada ou que, na pior das hipóteses, tenho algum tipo de pacto com o Diabo. Estão igualmente erradas. E eu percebo a confusão.

 

O facto é que eu sou aquilo que a pessoa com quem eu estiver não é, ou seja, sou só do contra. Portanto, é normal que o meu namorado ache que eu só não fui para freira porque o conheci. Assim como, é normal que a Marta Roque sofra bullying por ter sido acólita. E assim vai continuar a ser.

Quem for alguma coisa que haja como tal, mas que perca a necessidade de o rotular e mostrar aos outros. Não vale a pena irem à missa para mostrar aos comuns mortais que são boas pessoas, assim como não vale a pena dizerem aos comuns mortais que são ateus, mas pedirem a Deus para passarem às cadeiras. Ou sim ou sopas.

 

09.Ago.18

"The Incredibles" 14 anos depois...

 O primeiro "Incredibles" saiu em 2004. Feitas as contas assim muito rapidamente... tinha 8 anos. Bué anos depois decidem lançar o segundo. "Ridículo" podem dizer... mas no fundo nem foi mau.

 

Lançar filmes de bonecada e, ainda por cima, de heróis, atrai muita pequenada. Assim, ao sair um de heróis e que tem o "2", obriga a que os miúdos mais novos que desconheciam a obra fossem a correr ver o primeiro. Isto aumenta vendas, de alguma forma. Por outro lado, lançar a continuação de uma longa-metragem para crianças quando o público alvo original já é adulto, fez renascer a criança no interior de todos nós. Portanto, a maioria do pessoal adulto foi ver a segundo filme de livre vontade, sem ser por se ver obrigado a acompahar os filhos. Com sorte ainda obrigam os próprios pais a ir com eles... sim, porque a maioria do pessoal da minha idade, eu incluída, ainda vive com os mesmos e depende deles, portanto não é de admirar que queiram boleia e, quem sabe, um adulto responsável que os acompanhe.

 

Um filme que é lançado tantos anos depois também tem as suas particularidades. No caso dos Incredibles é notória a disparidade de valores e a evoluição da sociedade na aceitação do papel da mulher desde 2004 até então. SPOILER ALERT.

O facto de a mulher elástica ter tido o papel principal na maior parte, deixando para o homem o papel de cuidar dos filhos e, ainda, de a vilã ser também uma mulher e desta ser caracterizada pela sua inteligência e criatividade (e atenção, não é uma mulher loira!) são pontos extremamente positivos e um sinal da mudança dos tempos. No entanto, e infelizmente, ainda é um pouco futurista. O próprio senhor incrível se viu com dificuldades em aceitar o protagonismo da mulher, e isso clarifica o quanto ainda há para mudar. O facto de o irmão da vilã ser quem tem um papel mais social e de apenas ao longo do tempo percebermos que o cérebro de toda a inovação estava na irmã e não nele, fez-me lembrar a questão dos prémio Nobel, em que muitas mulheres faziam as descobertas, mas quem ficava com a fama eram os seus professores ou maridos. Só mais tarde é que se lhes foi dado o devido reconhecimento, ou, em muitos casos, nunca foi.

E para quem acha que tudo isto é tudo mimimi, ainda hoje li uma notícia em que uma faculdade de medicina no Japão admitiu baixar notas às mulher para limitar as estudantes do sexo feminino. Não preciso de dizer para quê, não é? Portanto, fiquei agradavelmente surpreendida. No entanto, eu própria estranhei os papéis, o que me faz pensar que estou a começar a ficar velha e relutante em lutar contra os valores caquéticos que me foram incutidos. Tal como a humanidade vai fazendo, daí que seja difícil sairmos da sepa torta. 

 

 

 

 

 

lançar uma continuação 14 anos depois também me fez perceber outra coisa: Se antes me identificava com a Violeta e os meus primos com o flecha, tal já não acontece. De alguma forma passamos a identificarmo-nos com a mulher elástica e o senhor incrível e isso é assutador. Primeiro porque ninguém com 20 anos gosta de se identificar com alguém que está casado, sem emprego e com três filhos. E segundo, ninguém quer ter um filho que é um monstro. Ups, spoiler. Vá, vão-me dizer que não era previsível? Já agora, isso foi bué um exagero. A família inteira tem um poder e o puto mais novo tem todos e mais alguns... Mas no fundo compreendo, um filme feminista tem pouco interesse nos dias de hoje, tinham que garantir que havia algo que puxasse pelo pessoal, visto que, se repararem, aqui as heroínas não usavam decotes nem estavam semi-nuas.

 

 

 

 

 

Já agora, será que as feminazi já se lembraram de alegar que é machismo ser um puto do sexo masculino ter mais poderes que os outros todos? Não podia ser a violeta? Gostava de assistir a essa discussão e a ver a comunidade LGBT+ a acusa-las de estarem a assumir o sexo do bebé, já que ele pode não se identificar com o sexo masculino e ser gender fluid. Quem ganharia? 

 

 

 

06.Ago.18

Férias na Madeira

Esta é aquela altura do ano em que vejo o instragam cheio de fotos dos momentos mais brilhantes da vida dos jovens: as férias pagas às custas dos pais.

 

Eles/as vão a hoteis, vão a discotecas, vão passar semanas ao Algarve, tudo.... e muitos deles/as são de fazer isto o ano inteiro. É uma festa, qual crise qual quê. Dizem que o país está em crise, mas a geringonça funcionou tão bem que o pessoal ficou todo rico de uma vez. Ou então sou eu, que tenho contactos acima do meu nível. Muito acima. 

 

No entanto, estou para aqui a falar, mas não me posso queixar. Apesar de há largos anos não sentir a àgua do mar por mais que um dia na praia mais rasca e mais perto daqui que é para não perder muito tempo (e gasóleo) em viagens, todos os anos tenho direito a uma ida, por mais de 2 semanas, paga à ilha da madeira. É mesmo uma ilha. Uma ilha com madeira.

No fundo, sou eu a tentar rentabilizar e aproveitar as minhas férias ao máximo. E eu levo isso tão a sério que aproveito cada viagem rápida de carrinho de mão para bronzear as perninhas e os bracinhos, que por si só, ao longo destes anos, passaram a ser as partes mais bronzeadas do meu corpo e as únicas. Qual trolha qual quê... é bronze da madeira. 

 

Muitos olham de lado quando conto os meus planos para o verão. "O quê? A sério que não vais à praia?" Opa, ya, já vos disse que não gosto de praia? O mais engraçado é que dizem isto com aquele ar de pena, como se a minha vida fosse comparável a uma vítima de trabalhos forçados ou algo do género. Tanta empatia pela pobre coitada que não vai molhar a passareca ao mar, mas tão pouca pela mãe ou o pai que vão trabalhar todos os dias e ainda têm que lhes fazer tudo em casa.

 

Outros dizem "Mas os teus pais não podem fazer isso?" Podem, não é obvio? Mas além de me pagarem a universidade, de trabalharem que nem cães o dia todo e de eu já ter 22 anos e viver à custa deles, não acham que era um bocado chunga pedir dinheiro para ir alapar o cu ao sol, quando tenho uma oportunidade única de conciliar praia e ginásio numa só atividade? É só vantagens para todos os lados. 

 

"Mas fogo, isso é trabalho de homem" Esta frase dita por uma gaja é digna de ser seguida por um estalo bem dado nas ventas. Querem igualdade e depois é isto. Para além de que, no inverno, geralmente quem tem mais frio são as mulheres. Também gostava de ver estas pessoas a dizerem ao namorado "estás a cozinhar? Mas isso é trabalho de mulher! Sai lá daí e vai para o sofá que eu já faço isso". Felizmente nunca vai ser preciso, visto que, perpetuando o nível de vida que tanto lutaram para conseguir, é claro que vão ter uma empregada em casa que lhes faça tudo. 

 

"Então, mas se não gostas de praia podias ir visitar um país qualquer" Boa ideia. Vou anotar, talvez um dia quanto acabar o curso e viver com o meu dinheiro pense nisso.  Se pedir aos papás era mais fácil? Era. Vou pensar nessa também ... Enquanto isso, vou tentando poupar algum daquele que recebo deles ou vou continuar a arranjar trabalhos que me exploram e me pagam 2,5€ à hora. Só aceitei porque quis... serviu de lição para não aceitar trabalhar por dinheiro que nem para o transporte dá.

 

Isto tudo para dizer o quê? Somos todos uns priveligiados se lermos notícias. Mas também temos uma vida de merda se olharmos para o instagram. Principalmente porque conhecemos 90% do pessoal que lá aparece e sabemos que têm alguém a matar-se para lhes dar a oportunidade de parecerem ricos nas redes sociais, quando todos sabem que não são.

 

Mas estou para aqui toda revoltada porque tenho inveja, admito, e acima de tudo, lenha para arrumar. Pode ser que me dê para meter uns instastorys das minhas holidays com os friends e que ainda tenha forças para desenhar um coração lá no meio. 

 

 

06.Ago.18

"Acho que devias conhecer os meus pais"

Quem é que já teve pesadelos com este problema, han? Quem é que se engasga a beber água quando o boy sugere que vá conhecer a mãezinha que ele tanto adora? Quem é que pesquisa o signo da mesma? Toda a gente. Quem é que já chorou no chão do quarto, em posição fetal que nem autista, porque não sabe se deve levar o boy a casa, visto que, há uma caçadeira atrás da porta? Alguém? Eu também não... ok, talvez uma vez.

 

Quem é que namora com um lisboeta que ainda por cima é o baby mais novo da mãe? Quem é, quem é? Ya, sou eu. Obrigada pelo apoio, está tudo bem. 

 

Já quase todos/as passamos pela estranha situação de ter que entrar pela casa a dentro dos progenitores do namorado/a e dar o corpo ao manifesto. Esta e daquelas situações em que sabemos que vamos para a guerra, mas que não temos qualquer tipo de treino, mapa, arma, munições para nos defendermos. Depois de entrar em campo é seja o que Deus quiser. E Deus queira que façamos boa figura, o que não é nada fácil.

 

Uma vez uma tia minha disse "Eu agora percebo que a minha sogra não goste de mim. Então eu algum dia vou gostar de quem me vier tirar o meu menino? Nem pensar!"

 

E faz sentido... vejam as coisas por este prisma: vocês têm um filho/a. Mudam as fraldas ao puto, aturam birras, pagam roupa, comida, álcool (mais tarde e sem saberem), têm mil e uma preocupações e, de repente, aparece um chico/a esperto/a que vos leva todo o vosso investimento e que, além disso, passa a ser uma prioridade. A vida é ingrata... sobretudo para as noras. E para mim. Façamos um minuto de silêncio por todas as mulheres cujo cupido lhes destinou um filho mais novo ou um filho único. Façam um minuto de silêncio por mim, pois saiu-me na rifa o último da ninhada e, além disso, há o risco de ser levado para longe da mãe e ela sabe disso.

 

 

 

Portanto, sendo conhecedora de todos estes factos, é normal que estivesse um tanto ao quanto reticente em conhecer as origens da minha cara metade (ugh "cara metade" é um expressão tão à revista Maria... desculpem, quis variar).

 

Ora bem, para quem lê os meus posts não é novidade que sou de Viseu. Quem diz Viseu diz arredores. Quem diz arredores diz aldeia. Quem diz aldeia diz gruta. Estou a brincar, isso é só na época de exames. Portanto, sou de uma aldeia no arredores de Viseu. O meu namorado é de Lisboa... vá arredores, no entanto, da mesma forma que gosto dizer que sou de Viseu tb ele pode dizer que é da capital. É mais chique. 

Assim, ter crescido no meio da palha e namorar com um lindinho de Lx que teve asma em criança (típico de menino da cidade) implica muitas coisas que as relações normais também implicam (ninguém diria, não é?). Uma delas é ter que conhecer as famílias. Ele a minha e eu a dele. É uma cena social e transversal a todo o país, parece-me... podia não ser e nós agradeciamos. E as experiências não poderiam ser mais díspares.

 

 

A minha família é mais tradicional. É a típica família numerosa que junta tios, primos, avós,... para almoços/jantares sempre que pode. A família dele é a típica família Lisboeta que junta mãe, pai e filhos sempre que deve. Portanto, a primeira vez que trouxe o rapaz cá a casa para conhecer os meus pais teve direito a tios, tias, primos, primas, namorados das primas e namoradas dos primos, bem vocês já perceberam. Foi um choque... para mim. Por incrível que pareça eu não estava à espera. Sou um bocado inocente e acreditei mesmo que a minha mãe não ia dizer a ninguém que eu ia trazer "o rapaz" pela primeira vez a casa. Colapsei. Apresentar o namorado à família significa que, muito provavelmente, já é para casar. Isso, como é obvio, assusta qualquer pessoa, principalmente se for como eu e não tencionar casar sequer. E ele? Nem sentiu. Típico gajo.

Além de ter que ter lidado com um batalhão de pessoas no espaço de 1hora, teve que lidar com mil perguntas (pffff perguntas é algo que as famílias adoram fazer) dignas de questionários de ressenciamento. Onde vives, com quem, o que fazes para ganhar a vida, doenças, boletim de vacinas, ... Também levou um cartão de visitas que dizia "Oh rapaz vê lá se te portas bem, que tu vives longe mas a família é grande e a gente fornica-te o pescoço se for preciso". Foi agradável... Depois da praxe é como se fosse da família. Já apanhou batatas como tal. 

 

A primeira vez que ele me levou a casa dele foi bastante parecida... tirando a parte em que não teve semelhança absolutamente nenhuma. Além de nem sequer ter avisado os pais, a mãe foi apanhada de surpresa (de robe) e o pai nem sequer estava pela cidade. Primeiro choque cultural, como lhe gosto de chamar, ou talvez azelhice do moço. São sempre os mesmos.

Escusado será dizer que me senti "uma qualquer" ou, pior que isso, "mais uma" e não sei se alguma vez lhe disse isto. Se não disse aproveito agora, visto que é ele quem me faz a revisão ortográfica dos textos. Portanto meu menino, fiquei chateada.

 

Perguntas? Poucas ou nenhumas. Ameaças ou avisos? Graças a Deus, nenhuns. Somos todos amigos, a casa é tua, faz o que quiseres a gente vê-se por aí. "Já agora, já comeste caracóis? Não? Então espera aí..." Depois desse almoço senti que era capaz de passar por tudo e qualquer coisa na vida... Além de que comer caracóis pela primeira vez, para agradar a família de alguém é só a coisa mais romântica que eu já vi fazer. Será amor? Espero que sim, porque não estou para experimentar mais comidas típicas com aspeto nojento para agradar progenitores.

 

 Comer caracóis pela primeira vez, para agradar a família de alguém, é só a coisa mais romântica que já vi fazer.

 

 

 

 

 

 

E foi mais ou menos isto que se passou há cerca de um ano atrás. Admito que foi mais difícil do que eu pensei visto que não esperava ter que comer caracóis. No entanto, também não esperava não ter que me preocupar com as regras à mesa nem com a não demonstração dos meus dotes culinários, de forma a provar que estou a altura para continuar a cuidar da cria para o resto da vida. Não estou, ele sabe disso e espero que ela também.

 

Para todas as pessoas que estão prestes a passar por essa situação deixem-me dar-vos os meus melhores conselhos:

Rapazes: apertar a mão com firmeza, olhar nos olhos do pai da moça e recusar o vinho da mesa dizendo "não bebo" parece-me ser um bom começo para serem amigos. Vão reforçar a relação quando admitirem que bebem como os outros. 

Raparigas: Não há nada a não temer... não há absolutamente nada que possam fazer ou dizer que faça a mãe do moço gostar de vocês. Pelo menos da primeira vez que lhe aparecerem à frente. Não desistam, as coisas vão lá com o tempo... espero eu! Ah, e não recusem caracóis. Sejam fortes.

 

 

 

 

 

 

01.Ago.18

Je sui huile d'olive

Estamos no primeiro dia de Agosto e a cidade de Viseu já tem outro movimento. Nela já se vêem os senhores emigrantes bem montados nos seus BMWs, audis, seats todos quitados ou carros cuja a marca desconheço, mas que têm aquela forma de carro bom e fazem brum brum a 50 km/h no túnel (a esta velocidade porque têm lentos à frente), a maioria deles alugados e com o símbolo da federação portuguesa de futebol no vidro. E qual é o problema? Destes todos apenas um. Os BMW portugueses já me incomodavam o suficiente.

 

 

Antes de continuar, devo esclarecer que não tenho problema absolutamente nenhum com quem tem a coragem de abandonar o seu país e lutar em busca de uma vida melhor. São muitas as barreiras encontradas quando não se trabalha no país de origem e sorte tem quem não precisa de passar por elas. Até hoje não precisei, mas sei de quem o fez por mim e nunca saberei se não me encontrarei na mesma situação. No entanto, isso não me faz não poder falar mal de certas paroladas e vontade não me falta.

 

Todos conhecemos a piada do "andam um ano a comer latinhas de atum para em Agosto poderem estoirar". Piada de mau gosto. Não é preciso ser emigrante para fazer isso até porque eu própria já estive um ano a latinhas e nunca saí do meu país para trabalhar. Foi quando saí de casa dos meus pais para estudar. Uma mãe faz muita falta. Portanto, tendo em conta que os emigrantes vivem sem os papás, não me admira nada que também aconteça com eles. Se a desculpa de poupar dinheiro para as férias era melhor? É discutível. Mas estou a falar disto porquê? Foi ainda agora que vi um meme a gozar com a emigrantada e nos comentários estavam dois indíviduos que trabalham no Luxemburgo a pedir arroz do pingo doce para matarem fome aos pt (pormenor importante: disseram-no em hashtag e um deles tinha a foto de um seat foleiro na capa). Isto deixou-me indignada... mas afinal qual é o problema do arroz do pingo doce? É branco, vem em grãos, embalado, coze bem... Será que o arroz no Luxemburgo é diferente? E se for... como é que eles sabem? Vem em latas? Intrigante.

 

 

Os meus pais foram emigrantes. E há uma coisa que eles dizem que eu não me esqueço: "As pessoas pensam que estar emigrado é chegar lá fora, dar um murro numa pedra e o dinheiro aparece". Quem pensa assim é claramente burro. No entanto, temos que admitir que é a imagem que muitos emigrantes gostam de passar. É raro ver um sr emigrante a admitir que está a fazer o que os outros não querem, a ganhar menos que os o pessoal de lá e a trabalhar o dobro. Nunca vi. Têm vidas fantásticas, grandes carros (um para cada elemento da família que fazem questão de trazer e mostrar, visto que, 4 pessoas não cabem num carro francês) e grandes casas. Na boca deles. Porque nem me venham com histórias... um jeep que tem a escada sem um único arranhão das duas uma: ou foi acabadinho de comprar ou então obrigam o jean pierre da silva a calçar as pantufas antes de entrar. 

 

 

Estes dias estive a servir num restaurante (uhhh que pobre, devo comer arroz do pingo doce) e, sem surpresa, servi emigrantes. E claro, poucas palavras em português proferiram. E qual é o mal? Muitas vezes vejo os portugueses a criticar porque os emigrantes não falam português só porque se querem mostrar. Eu acho isso um exagero... eu própria, nascida na Suíça, se voltasse para lá não saberia dizer uma única palavra em francês. É normal que quando estamos muito tempo sem ir a um país nos esqueçamos da língua do mesmo e eu sou a prova viva disso. Pormenor importante: saí de lá com 4 anos... mas não somos todos iguais. Já agora, servi-lhes várias doses de arroz... muito provavelmente do pingo doce.

 

 

"Oh vocês têm inveja". Esta é uma resposta que eu vejo muito em comentários. Poderá ser verdade, para algumas pessoas. No entanto pensemos juntos: Quem critica tem a perfeita noção que a França, o Luxemburgo, a Bélgica ou marte não são o paraíso na terra para ninguém, quanto mais para quem é de fora. E isso não diminui quem lá está, muito pelo contrário. No entanto, 70% dos emigrantes estão lagados de azeite e mania e essa é a origem das críticas. Nota: ninguém tem inveja de um azeiteiro que se acha a última bolacha do pacote... mesmo que esse azeiteiro esteja bem montado.

 

 

Como detetar um "je sui huile d'olive"?

 

 

Deixo para um próximo post porque agora ando a passear pela capital.